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06 | eventos proprietários

Abril 1, 2008

Nos últimos anos o Brasil tem presenciado uma profusão de eventos proprietários, que consistem em marcas emprestarem seus nomes a um festival de música, artes, tecnologia, etc. É mais ou menos como um naming right de um evento.

O maior evento do gênero no Brasil é o Skol Beats, realizado desde 2000 pela B/Ferraz, e que devido à sua força e repercussão foi capaz de gerar a criação de uma marca de cerveja, subvertendo a lógica deste tipo de evento, no qual uma marca já estabelecida dá origem a um evento.

O Tim Festival é outro grande evento proprietário brasileiro, que pegou carona na proibição da propaganda de cigarros em 2003, e tomou para si o nome de um dos principais festivais do Brasil, o Free Jazz Festival, realizados pela Dueto Produções desde 1985.

Os mais atentos já deve ter notado que este último, como a maioria dos outros eventos proprietários, ocorre no segundo semestre. Isso acontece porque há dificuldade de agendar artistas internacionais de porte em outros períodos do ano, pois não dá para concorrer com os festivais de verão do hemisfério norte,  que lotam as agendas e enchem os bolsos dos artistas.

No segundo semestre de 2007 aconteceram cinco eventos de grande porte: o Tim Festival, o Planeta Terra, o Nokia Trends, o Gas Festival e o Motomix.

Os cinco eventos têm características semelhantes: todos querem atrair trend-setters, jovens, descolados, das classes A/B, o que os torna muito parecidos, com line-ups variando entre artistas de música eletrônica e indie rock. A exceção é o Gas Festival, atraiu um público adolescente que curte esportes radicais e hard-core.

Para provar que a maioria dos eventos proprietários são muito parecidos e que não são capazes de geral recall, eu gostaria de saber se alguém se lembra em qual deles se apresentou cada um desses artistas: Björk, CSS, The Killers, She Wants Revenge, Arctic Monkeys.

Quem não foi não deve saber. Isso reflete a baixa repercussão dos eventos depois de alguns meses da apresentação, não criando vínculo duradouro da marca com as pessoas.

Além disso, a quantidade de eventos separados por poucas semanas e que buscam o mesmo target pode ter prejudicado uma presença maior de público, já que a maioria das pessoas não dispõe de dinheiro suficiente para comparecer a todos os eventos, apesar do benefício da meia-entrada.

Os executivos locais poderiam se preocupar mais em realizar eventos realmente únicos, contratando um line-up que “só poderia ser trazido pela marca X”, criando eventos memoráveis que não saírão das cabeças e dos corações do público.

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  1. Maio 29, 2008 7:16 pm

    Olá, peguei emprestado esse link para ilustrar uma post meu sobre eventos proprietários. Mas não se preocupe que coloquei a devida autoria e convidei para uma visita ao seu site que está muito bom. Coloquei no meu bookmark! Abraços.

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