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60 | venda de ingressos

Outubro 15, 2009

Há algum tempo venho postergando a publicação deste post, mas agora, motivado pela matéria da Época Negócios, resolvi escrever sobre uma das mais importantes partes do mix de produtos de entretenimento, a operação de venda de ingressos.

As empresas de venda de tíquetes têm sua receita principal proveniente da taxa de conveniência, que é um percentual sobre o valor de venda do ingresso, geralmente de 15 a 20%. O valor final a ser pago pelo cliente ainda tem a soma da taxa de entrega, que varia dependendo do local para onde o ingresso deve ser enviado.

Outra forma de receita é a venda de patrocínio para empresas que podem estampar suas marcas nos tíquetes, além de outras propriedades como atendimento preferencial em call center, parcelamento exclusivo, pré-venda, etc.

O público tem grande dificuldade em entender e aceitar a taxa de conveniência, pois na cabeça do cliente, quando ele compra um ingresso pela internet, fazendo todo o trabalho sozinho, não deve haver cobrança de taxa. Para quem compra não faz diferença o investimento em infra-estrutura de informática existente para que a operação seja realizada.

É claro para qualquer um que já comprou ou tentou comprar ingressos pela internet, que os tais investimentos na infra-estrutura do sistema não são suficientes, pois a quantidade de bugs, sites fora do ar, erros na cobrança e atrasos na entrega denunciam um sistema pouco confiável.

A maior empresa de venda de ingressos em faturamento no Brasil é a Ticketmaster, que comercializa tíquetes de valor mais elevado que a Ingresso Rápido, líder em volume de venda, com cerca de 10 milhões de ingressos comercializados por ano.

A Época Negócios de setembro publicou uma matéria que mostra o composto de receita e custos da operação de venda de ingressos da Ingresso Rápido, que, salvo alguns exageros, mostra como é diluído o recurso que cabe à empresa, como você pode ver na imagem abaixo.

epoca_ingresso_rapido

Para a maioria das empresas, senão para todas, a saúde dos negócios no longo prazo depende de um controle rígido dos custos, e os cortes em despesas devem ser feitos sempre. Por este motivo é improvável que 70% da receita proveniente da taxa de conveniência seja de custo de operação. Talvez a empresa tenha divulgado esses valores para que a rentabilidade do negócio não se torne pública, aumentando a já grande rejeição que ao negócio.

De modo geral, quando as empresas dizem que todos os ingressos foram vendidos em 15 horas, fica claramente demonstrado que há uma falta de estrutura no mercado nacional, pois no exterior algumas empresas vendem centenas de milhares de ingressos em poucos minutos sem transtornos para o comprador. Isso acontece devido à falta de competitividade que ocorre por falta de conteúdos e público suficiente que justifique a entrada de novos players no Brasil, o que obviamente causaria uma melhoria nos serviços oferecidos.

É preocupante que haja tamanha falta de estrutura em um país que está à beira da comercialização de milhões de ingressos para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos. A questão que fica é se o investimento que as empresas deverão fazer para o atendimento das demandas específicas destes dois eventos resultará em um diferencial percebido no longo prazo, após a realização dos eventos, e, mais importante, quanto tempo levará para que o passivo deste investimento seja amortizado.

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